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Dínamo, a camisa que entorta o varal

Futebol raiz: assim podemos definir o Dínamo dos anos 90. As equipes tinham uma grife de identidade, que hoje, infelizmente, não faz mais parte do quadro de clubes profissionais: é o caso do glorioso Dínamo Futebol Clube. Clube alvinegro de Santa Rosa – o único a participar da primeira divisão do campeonato estadual – e se engana quem acha que foi um mero coadjuvante na competição.

Muitos jogos foram marcantes para o Dínamo, principalmente contra a dupla Grenal, onde teve um histórico invejável, pois nunca perdeu para o Internacional e Grêmio (é verdade também, que nunca ganhou), mas conseguiu expressivos empates. Foram dois empates em 0 a 0 com o Grêmio em jogos oficiais e uma derrota em amistoso, além de dois empates (1 x 1 e 0 x 0) em jogos amistosos com o Internacional.

O estádio era o Carlos Denardin, que ficava lotado todas as tarde de domingo para grandes confrontos contra: Guarani de Cruz Alta, São Luís de Ijuí, Tupi de Crissiumal, Brasil de Pelotas, Aimoré (índio capilé), Glória de Vacaria, Juventude, Esportivo, Caxias, entre tantos outros e alguns que já não estão mais no quadro da FGF (Federação Gaúcha de Futebol), como é o caso do saudoso Taguá.

O Dínamo chegou ao ápice quando liderou o campeonato gaúcho e teve mídia nacional, aparecendo no Fantástico (pena que ainda não tinha o costume de: três gols pede música). Essa liderança fez com que os olhos da imprensa de Porto Alegre se voltassem para Santa Rosa.

Dínamo FC. 1991. 1ª fila: Nenê Zorzan (técnico), João Batista, Sandro Blun, Paulo Timm, Soares, Beto,
Vandenir, Salsicha, Sandro Gomes e Caio (massagista). 2ª fila: (?), Rogério Manta, Zequinha, Edson Luiz,
Lamar, Sadi e (?). Em baixo: Paulo Henrique, Góia, Lica, Marcelo Moura e Martins.

Os doze maiores goleadores, jogos amistosos e oficiais na era profissional 1984-1994:
1 . João Luiz – 48 gols.
2 . Beto, – 35 gols.
3 . Zequinha – 32 gols .
4 . Edson Luiz – 30 gols.
5 . Paulo Tim – 40 gols.
6 . Toninho – 21 gols.
7 . Salsicha – 21 gols.
8 . Lica – 18 gols.
9 . Givanildo – 15 gols.
10 . Vandenir – 13 gols.
11 . Cezar Micuim – 11 gols.
12 . Joel Nunes – 10 gols

Dínamo FC – 1992 – Renato, Paulo Timm, Paulo Henrique, João Batista, Oneide e Salsicha. Edson Luiz, Zequinha, Bira, João Luiz e Urnau. Estádio Carlos Denardin.

O jornal Zero Hora do dia 03/09/1991 destacava em reportagem: “Dínamo, a felicidade de um líder: em Santa Rosa, tudo é alegria na liderança do Gauchão”. A torcida cada vez mais apoiava o time vitorioso.

Porém, nem tudo foram flores para o grande Dínamo Futebol Clube. Após alguns revés em 1995 o clube fechou as portas para o campeonato gaúcho, infelizmente, para nunca mais voltar.

Como no campeonato gaúcho o que mais chama atenção é a raça, seu capitão, Salsicha, era o representante oficial do estilo gaúcho de futebol, que tinha como filosofia de jogo a seguinte frase : “Jogávamos por amor a camisa, se fosse preciso nós mordíamos a grama”.

Num domingo à noite quando Léo Batista, da Rede Globo, apresentava os Gols do Fantástico, com sua voz marcante, anunciava: “o líder do campeonato gaúcho é o surpreendente Dínamo de Santa Rosa”. Foi uma glória! O Brasil todo conhecia a força do Dínamo.

Na mesma reportagem do Zero Hora de 03/09/1991, o técnico Nenê Zorzan disse: “Foi um dia especial para mim e para toda a equipe. Afinal, tocar 3 a 0 no Lajeadense e assumir a liderança do Gauchão, não é todo dia que acontece”.

Técnico Nenê Zorzan e Presidente José Emilio Kruel

Beto e João Luiz chegaram a liderar por algumas rodadas a tabela de artilheiros. Em 19/05/1992 no Zero Hora: “Líder Dínamo apresenta oito pontos em cinco jogos disputados”. E tem mais, ZH em 28/08/1991: “Aimoré e Juventude no caminho dos líderes Lajeadense e Dínamo”. Os dois se enfrentaram no Carlos Denardin no domingo seguinte: 3 a 0 para o Dínamo, que assumiu isoladamente a liderança. O jornal Zero Hora de 02/09/91 larga a seguinte manchete: “Dínamo dá goleada e assume como líder”.

O centroavante do Lajeadense era Gelson Conte que foi o goleador do Gauchão em 1991 com 16 gols e o centroavante do Dínamo era Beto Campos, técnico que levou o Avenida ao título da Segundona.

Lauro Quadros relata em sua coluna: antes do jogo, o técnico Gilberto Machado cutucou com vara curta: “O Lajeadense só é surpresa pra quem não o conhece”. Depois, Dínamo 3 x Lajeadense 0. E dizia mais: O Dínamo com oito pontos em dez, tem 80% de aproveitamento. Ainda, em 1991, o Correio do Povo: “Os líderes do Gauchão 91: Dínamo, o melhor até o momento.” Em 19/05/1992, em Zero Hora: “Líder Dínamo apresenta oito pontos em cinco jogos disputados.” Referindo-se a Copa Cleber Furtado, disputada no 1º semestre. O recorde de público no Carlos Denardin ocorreu em 11/09/1991, no empate em zero com o Grêmio, com 7.576 pagantes.

Por três anos (1991/92/93) o Dínamo disputou o Campeonato Gaúcho da Primeira Divisão. Era muito respeitado pelos adversários e possuía muita garra e determinação. No Estádio Carlos Denardin dificilmente era batido. Deixou sua marca na história do futebol do Rio Grande do Sul.

Fizeram parte da conquista em 1991:
Goleiros: Lamar, Nelson e Danilo.
Laterais: Paulo Tim, Paulo Henrique, Marcelo.
Zagueiros: João Batista, Salsicha, Góia e Sandro Blum.
Meio-campo: Rogério Manta, Classmann, Zequinha, Gilson, Zéio e João Luiz.
Ponteiros: Elemar, Lica, Edson Luiz, Sandro Gomes, Sadi, Pipoca e Martins.
Avantes: Vandenir, Beto, Joel Nunes e Soares.
Comissão Técnica:
Treinador: Nenê Zorzan.
Fisicultor: Soni Welke.
Médico: Dr. Estanislau Acosta Medina.
Diretoria: Presidente: João Amaro Heck.
Departamento de Futebol: João Luiz Gruber, Ilário Siebert, Elton Zulke.

O jogo da história

Embora houvessem grandes jogos na Divisão Principal, o maior e mais importante foi disputado com o São Gabriel, no Estádio Sílvio de Correa Farias, na manhã chuvosa do dia 20 de julho de 1991, às 11 horas. Um empate bastava para o Dínamo classificar e disputar a 1ª Divisão ainda naquele ano. Mas aos 42 minutos do 2º tempo, João Luiz, o maior goleador da história profissional do Dínamo, faz um à zero. Para esta conquista o grande técnico Nenê Zorzan usou os seguintes jogadores: Lamar; Paulo Tim, Sando Blum, João Batista e Paulo Henrique; Rogério Manta, Classmann (João Luiz) e Zequinha; Edson Luiz (Góia), Beto e Sandro Gomes. O árbitro do jogo foi Silvio Oliveira. Houve muita festa em Santa Rosa. A delegação foi recepcionada na RS 344, seguido de carreata pela cidade e após uma grande festa no Ginásio João Batista Moroni. Com este resultado o Dínamo foi campeão de sua chave e foi disputar o título da Copa com o Taguá de Getúlio Vargas. No primeiro jogo naquela cidade o placar foi de 2 a 0 para o Taguá. No segundo jogo, com casa lotada, o Dínamo não conseguiu reverter o placar para ser campeão: zero a zero. Ficou com o vice-campeonato e a vaga no Gauchão estava garantida.

Fundação

O Dínamo F.C. foi fundado em 20 de setembro de 1970, tendo como sócios fundadores (Estatuto): Neuri da Costa Brun, Hilário Zorzan, Nelson Schmidt, Mario Alberto Preste Cardoso, João Alberto Fagundes, Airton Prado Schmidt, Pedro Assis Pinheiro, Luiz Carlos Kruel, João Adão Marques Mousquer, José Emilio Kruel, Bartolomeu Neis, Antonio Carlos Alves, João Gomes de Carvalho. Segundo o estatuto, a finalidade do clube é proporcionar a difusão do civismo e da cultura, a prática de esportes, entre eles o futebol, sendo este de caráter amadorista.

Primeiramente disputaram jogos amistosos, depois campeonatos municipais e regionais, mais tarde estadual de amadores. As aspirações se tornaram maiores. Em 1986, veio o profissionalismo com a Segundona. Mas o objetivo era chegar à Divisão Principal, hoje Primeira Divisão. E chegou: em 1991.

Todos os Presidentes tiveram importância na história do clube, mas, destacamos dois, pelos feitos e pelas campanhas: José Emílio Kruel que levou o clube ao profissionalismo em 1985 e foi presidente até 1988, liderando o clube nas campanhas memoráveis de 1987 e 1988; Amaro José Heck que levou o Dínamo para a Divisão Principal em 1991 e que continuou no cargo até 1992.

Grandes campanhas

Destacamos três: em 1987, quando por detalhe, com uma equipe modesta, mas competitiva, quase chegou lá, ficou em 3º lugar, atrás com um ponto a menos do que o Guarany de Cruz Alta e o Aimoré. Em 1988, faltaram dois pontos. Subiram Glória e Novo Hamburgo. A melhor campanha foi em 1991, quando subiu para a Primeirona, com o vice-campeonato da Copa Aneron Correa de Oliveira.

Mas o Dínamo também teve seus reveses no Gauchão: somou duas derrotas por goleada no Beira-Rio: 3 a 0 e 4 a 0. Com o Grêmio jogou duas vezes em casa, empate em zero a zero. O maior revés, no entanto, sofrido pelo Dínamo, foi em 1993. Mergulhado em crise financeira, não conseguiu se manter na Divisão Principal, sendo rebaixado. Ainda disputou a Segundona em 1994 e acabou fechando as portas em 1995.

Presidentes:
1.Derli Martins
2.Geraldo N. Silva
3.Neuri da Costa Brun
4.Mário Prestes
5.José Emilio Kruel (1984 a 1988 e 1993)
6.Wily Gonçalves Dias (1989)
7.Antonio Carlos Borges (1990)
8.Amaro José Heck (1991/1992)
9.Telmo J. Werlang (1993)
10.Cid Olivério Borges (1994)

Colaborou: Década de Ouro 90 / Atanagildo Rorato

 

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